15 maio, 2010

Literatura não vende - Malagueta #2

Por Rogers Silva

Na última entrevista d’O BULE, realizada com a escritora Ana Paula Maia, fiz-lhe (e ao leitor) os seguintes questionamentos: Todo aspirante a escritor quer publicar e vender, se não muito, pelo menos um número razoável de exemplares. Mas, paradoxalmente, percebo que pouquíssimos aspirantes a escritor ou escritores iniciantes valorizam os seus pares (outros aspirantes, ou iniciantes, ou escritores desconhecidos). Literatura não vende porque nem os próprios indivíduos que sonham em viver dela compram livros. Embora triste, essa é a realidade. Para você, como conscientizar, primeiramente, os próprios literatos que literatura é mais do que a própria literatura? Acha que é possível dissuadir um indivíduo de comprar um celular de R$ 1.000,00 e instigá-lo a comprar 15 livros e um celular de apenas R$ 500,00?

São muitas as questões, ora afirmações, ora interrogações, mas elas podem ser resumidas assim:
  • Poucos aspirantes a escritor valorizam os seus pares.
  • Literatura não vende porque os aspirantes a escritor não compram livros.
  • Como conscientizar os escritores de que literatura é mais do que a própria literatura.
  • Como dissuadir alguém de comprar menos coisas supérfluas para – também – comprar livros.

Aqui serão focados apenas os três primeiros tópicos. Em relação ao primeiro tópico, a verdade – a meu ver – é clara como a água. O segundo tópico é conseqüência direta do primeiro (ou conseqüência da falta de leitura. Sim, há escritores que não lêem, por incrível que pareça). O terceiro – que guiará este texto – é um questionamento às práticas dos meliantes.

Aparecem a todo momento centenas de escritores afoitos por terem seu talento reconhecido. Querer ser reconhecido por seu talento, por sua competência não é – nem deveria ser encarado como – pecado. No entanto, numa cultura nada meritocrática como a brasileira, querer possuir, querer ganhar, querer enfim, é visto com certa desconfiança. Se aliados ao querer, houver talento, inteligência e competência, ihhhh, o indivíduo corre o risco de ser crucificado, inclusive. Neste país, a forma mais fácil de se conseguir qualquer coisa, qualquer posto, é a bajulação, as relações pessoais, a intimidade, a troca de favores. Não encare isso como uma crítica. É a nossa realidade. É a nossa cultura.

No meio literário – microcosmo de uma cultura e sob sua influência –, esse tipo de relação é comum. Ok, nada mais justo do que ajudar quem te ajuda. Nada mais justo do que divulgar quem te divulga. Mas até quando funcionaremos apenas assim, na base do troca-troca? Quando faremos algo espontaneamente, pelo puro prazer de ajudar quem de fato merece? Um meio que sempre funciona dessa forma, na base do troca-troca, está dando um tiro no pé.

Reclamar que o seu talento (texto) não é reconhecido quando você nunca faz questão de: reconhecer o talento alheio; comentar – de forma sincera – os textos alheios; divulgar – sem pedir nada em troca – a arte alheia (mesmo que esse alheio seja desconhecido); comprar livros de autores iniciantes etc. – é reclamar sem razão. Essa prática é um ciclo vicioso. E pernicioso. Se todos resolvessem apenas se preocupar com o próprio umbigo, digo, com sua própria literatura, teríamos oferta mas não teríamos procura. Imagine mil livros publicados para apenas dez leitores. Essa é lógica do mercado – se não há consumidores, não há razão para a oferta do produto. Se poucos são os consumidores de livros, então nada mais lógico do que ser pequeno o número de exemplares impressos.

O BULE, no dia 28 de abril, publicou o texto Evangelismo literário, de Homero Gomes, o primeiro da série Malagueta. Nele, incitamos todos, leitores, amantes, críticos e escritores, a praticarem o conhecidíssimo boca-a-boca, “que precisa efetivamente fazer parte das práticas de divulgação da arte literária”. Essa estratégia, como diz o texto, tem tudo a ver com a figura daquele leitor (que muitas vezes é escritor também) que não é passivo diante da mensagem. Ou seja, ele – leitor ativo – pode também, por vontade própria, contribuir para que a mensagem de um escritor específico seja conhecida por mais pessoas. Para tal, a internet – e seus Facebook, e-mail, Orkut, Twitter etc. – é um meio extremamente eficaz. Enviamos e aceitamos e-mails de correntes idiotas, mas não enviamos nem aceitamos e-mails sobre Literatura.

O BULE, desde sempre, se propôs a divulgar a Literatura, e não somente a literatura dos colunistas. Possíveis colaboradores são bem-vindos (22 já publicaram seus textos aqui. Infelizmente muitos talentosos não foram publicados por falta de espaço no cronograma). Outros 11 tiveram seus livros divulgados e sorteados (outros 5 estão na lista). Alguns, mais renomados, foram entrevistados e tiveram suas idéias e sua literatura propagadas. Por outro lado, O BULE recebe muito mais textos para serem publicados (o que nos deixa muitíssimos felizes) do que recebe comentários nas postagens (o que deixa alguns tristes, sobretudo os mais sensíveis). Isso explica a teoria de que o escritor hoje em dia está tão-somente preocupado com sua própria literatura?

A par dessa realidade, lançamos aqui a campanha Evangelismo literário, que não é nova nem original, mas que no meio literário é fraca – de cada qual ajudar a divulgar o talento do outro. Como disse Homero Gomes em seu texto de estréia da série Malagueta, “o leitor, assim, após ‘acreditar na mensagem’ e de aprovar o texto como verdade, repassa aos seus contatos, espalhando a boa-nova do escritor, em um boca-a-boca virtual que poderá se reproduzir em progressão geométrica”.

A campanha continua – caso pretenda se juntar ao exército de evangelistas literários, comece agora mesmo a difundir textos que lê e dos quais gosta. Não se acanhe em comentar textos que te incomodem, positiva ou negativamente. Caso tenha gostado de algum texto d’O BULE, promova, divulga, espalhe. Os colunistas d’O BULE agradecem e, como adeptos dessa idéia, continuarão divulgando textos literários, seja o autor participante ou não d’O BULE. Fique à vontade de enviar, para nós (coisaprobule@yahoo.com.br), sugestão de postagem (textos, releases, eventos, lançamentos etc.), o que nem sempre divulgaremos aqui mas que podemos divulgar no nosso Twitter ou Facebook.

A Literatura só fisgará outros leitores, desconhecedores dessa arte, se primeiramente os seus amantes começarem a propagá-la. A Literatura só passará a vender a partir do momento em que os seus amantes (leitores, críticos, escritores, professores) começarem a valorizá-la, e valorizá-la significa inclusive pagar um preço por tê-la para o seu entretenimento e prazer, seja ele qual for.

27 comentários:

M.F. disse...

Muito, muito bom esse post! Concordo 100%! Acho que as pessoas têm essa imagem de que "não tem pra todo mundo" ou coisas do tipo. Ficam com medo de divulgarem os outros e acabarem sem divulgação, aumentando concorrência e ficando pra trás. Aliás, faz bastante parte da nossa cultura o medo de "ficar pra trás" e - como consequência - tentar passar os OUTROS pra trás, né? E isso tudo reflete inevitavelmente no meio literário... Mas que bom que existem pessoas pra escrever textos assim e fazer a gente parar pra pensar um pouco, rs.
Adorei! Beijos!

E, aliás, aproveitando o assunto "divulgação", eu divulguei esse no Twitter, rs.

Rogério Mathias Ribeiro disse...

Rogers, a questão é extremamente pertinente e, complexa. Dentro do que foi escrito, a parte que fala sobre a bajulação e fatores pessoais procede, sim, infelizmente e em qualquer setor; no Rio de Janeiro, ex-capital do Império, salta aos olhos...Os acadêmicos colaboram para isso tb, o mais novo que se chega em uma faculdade de Letras, por exemplo, é Rubem Fonseca, os cânones dominam e no ensino médio ainda se trabalha com Trovadorismo, Arcadismo, em uma linguagem enfadonha ditada pelos livros didáticos e pelo vestibular ou algo que o valha, abortando, diria eu, os novos leitores. Há ainda atualmente a concorrência feroz de um entretenimento mais fácil, que não faça pensar, pois pensar dói e falo sério...Fiquemos então com o universo fragmentado e caótico dos leitores convictos e potenciais consumidores atuais: A oferta é enorme e muitos acabam se perdendo ou desistindo de ler o novo no oceano cibernético ou nas prateleiras. A modernidade, ao menos, fornece armas novas e a divulgação é uma delas e é válida, concordo contigo, todavia acredito que nosso grande problema (no Brasil em particular) é o público leitor, escasso e pouco renovado. Olha, é uma questão importante e vale mesmo a discussão. Abs, Rogério.

Parreira disse...

Rogerssss, teu post foi na mosca! é preciso mostrar o que temos de bom por aí. Não foi a toa que criei o blog Palavras Outras, no qual faço justamente isso: exponho o que os outros produzem, valorizando o seu trabalho.
O BULE também faz esse serviço. E agora ainda melhor, botando o dedo na ferida.

Andrey do Amaral disse...

Esse é o texto! O autor é o cara - entende um mecanismo inteligente de propagação. Infelizmente, os nossos amigos autores querem atingir um mercado inatingível. E por que não criar o próprio mercado-alvo? Para tanto, é preciso criar demandas, "criar públicos". Eu chamo meu público de clientes. Creio que autores longe do mercado "elitista" devem estudar marketing ou contratar uma assessoria de imprensa. Não adianta lançar um livro se não há público leitor. Então criem seus públicos, seus clientes. O texto do Rogers é elucidativo e um alerta positivo a quem queira leitores, ou clientes (como eu chamo os meus).

Eric disse...

Bom texto!
Não vejo problemas em termos o mesmo número de leitores e de escritores. Todo mundo tem o direito de escrever e quero mais que escreva mesmo. Acho que o problema começa (e pelo visto já começou) quando o número de escritores passa a ser maior do que o de leitores. O cara quer sentar e escrever sem ler, sem se informar, sem entender o que está fazendo. Acha que assistir anime e jogar Nintendo fornecem as ferramentas necessárias para uma boa literatura. Daí já se pode imaginar a qualidade do trabalho.

abss!
eric

Mauro Siqueira disse...

Belo texto, Rogers. Como em tudo, concordo em parte e em outras geraria algumas conversas – e isso que é bom: o debate. E só para complementar as palavras do Rogério, de fato os acadêmicos colaboram para a miopia do cânone, porém a minha experiência no curso de Letras já demonstra uma mudança nesse sentido, durante a minha graduação pude estudar autores dos anos dos 90 e 00 de forma sistemática. E autores como Bernardo Carvalho e Milton Hatoum caminham para se tornar modelares – já observei a presença de ambos em diversas provas vestibulares, por exemplo. Além dos diversos trabalhos de mestrado e doutorado que contemplam os autores dessas duas últimas décadas.

Brontops Baruq disse...

Bom texto.

Recentemente, postei o seguinte no meu blogue:

"Certa vez, perguntei ao artista gráfico Saul Steinberg "Por que será que consigo conversar com alguns escritores? Não encontro assunto: por que parece que estou falando com pediatras ou corretores de imóveis e não escritores? Ele pensou e respondeu: "Isto é fácil: existem dois tipos de artistas, nenhum deles superior ao outro; um responde à própria vida e o outro responde à história da arte até aquele momento."

(Kurt Vonnegut, citado de memória em um livro que folheei e não me preocupei em guardar o título.)

* * *

Eu sou dos que se acanham. Eu tenho medo de fazer críticas, assim em "público". Minha experiência em trabalhos profissionais "não-artísticos" indicam que a pessoa lê as opiniões ao sabor de seu temperamento no momento. Sendo assim, se não conheço intimamente a pessoa, prefiro me ausentar... Se tem algo que odeio e acho profundamente ridículo em fóruns e blogues é aquela caralhada de coments se digladiando como se fossem piranhas.

(Fora que a Internet estimula que se escreva assim, sem se preocupar muito com o que está "dizendo", como quem conversa em boteco. Várias vezes me arrependi do que escrevi e seu erro/comentário fica lá, piscando no ciberespaço, como holofote sobre sua burrice.)

Abs

M.F. disse...

Rogers, já conhece o Desafio Nacional? É uma campanha pela valorização da literatura nacional. Vale a pena ir lá (e divulgar, se possível): http://desafio-nacional.blogspot.com/

Biajoni disse...

bom post.
acredito também que o escritor muitas vezes fica preso ao seu oficio, escrever, com atenções voltadas para aqueles que admira, geralmente escritores consagrados, grandes escritores. acaba não prestigiando o novo, é verdade. salvo raras exceções, claro.

Enderson disse...

Caro Roger, caros autores do Bule, esse post tudo tem a ver como o recém lançado http://desafio-nacional.blogspot.com/ o qual os convido a participarem. Realmente, muitos de nós se abstém de comprar livros de iniciantes - que não são tão iniciantes assim, afinal é quase impossível conseguir-se uma editora e muito mais ir parar na livraria - com o pretexto tolo de que aquela pessoa está roubando nosso leitor! Ora essa, um livro meu é lido em 2 dias, sobra a vida inteira do cara para ler os livros dos outros! O que temos que fazer é estimular a cultura da leitura! Bom, vcs estão convidados a apoiar o blog do Desafio e a seguir o twitter do mesmo (http://twitter.com/DesafioNacional) É uma iniciativa bem bacana que já conta com MUITA gente, e queremos sacudir o mercado editorial. E sim, fiquei surpreso quando minha namorada estudou Milton Hatoum na faculdade recentemente. Algo pode estar mudando, e deveríamos começar um pouco mais cedo, no colégio. Um dia, todos já lemos a Coleção Vagalume... Grande abraço!

Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Excelente! É isso mesmo!

Marcia Barbieri disse...

Adorei seu texto, ou melhor, odiei, pois ele me serviu de espelho e espelhos sempre assustam. Concordo plenamente com você e até é um assunto recorrente entre meus amigos, dá a impressão que existem mais escritores que autores, queremos ser lidos, mas não temos paciência para ler autores pouco divulgados,estranho...Eu realmente me sinto mal por isso, embora entre tanto trabalho, casa, filho, seja difícil conciliar tempo pra escrever e tempo pra ler todo mundo que merece ser lido. Quarta-feira fui a uma palestra do Manuel da Costa Pinto e tinha apenas umas 7 pessoas, foi desolador...

beijos

Leonardo Schabbach disse...

Texto excelente. Não é só isso, não é só o fato de escritores não lerem que gera o problema, mas é um fator sim. E é mais fator ainda a espécie de preconceito que mesmo os leitores mais assíduos têm com leitores nacionais. Lêem muitos livros por mês até, mas só de autores estrangeiros. E só indicam para outros livros de autores estrangeiros, ficam com vergonha até de indicar um nacional.

Essa mentalidade precisa ser mudada. Eu venho falando disso no meu blog também já tem algum tempo, e venho tentando divulgar autores brasileiros. Recentemente, nasceu um projeto nessa direção, Desafio Literário, temos de ver se engrenará ou não, mas a idéia é boa. E é boa a campanha de vocês também!

Abraço,
Leonardo Schabbach

Patricia Canarim disse...

Muito bom o texto, de fato há poucos leitores no país e infelizmente entre os escritores. A solução está mais em tornar a leitura acessível a todos que pedir que escritores leem. Ano passado escrevi em meu blog sobre este tema "Leitura: desafio de uns e ilusão para outros" Falava de como a leitura ainda está longe da grande maioria de brasileiros. Mas, isso todo mundo sabe.

Apesar de não fazer parte, não consigo, existe um Desafio 50 livros em 1 ano. Criado pela Nélida Capela em seu blog: Lector in Fabula.E não é que tem um monte de gente participando. É uma luz no fim do túnel.

Não sou escritora, mas adoro ler, adoro o mundo literário e editorial. Vou divulgar o Desafio Nacional também.

Muito bom o trabalho deste blog, parabéns.

Bruna Maria disse...

Está aí um assunto complexo.

Acho que eu não tinha parado para pensar nisso com mais calma, embora sempre uma coisa e outra nessas dinâmicas de escrever/divulgar acabe chamando a atenção e incomodando um pouco.
Sim, concordo que é um pouco difícil ver uma troca aberta entre quem escreve, quem está começando a escrever, e leitores. É ruim reconhecer isso, mas é o que podemos observar. Não é muito comum que novos autores sejam comprados por quem apenas lê ou por quem lê e escreve, a menos que o autor apareça em algum lugar de visibilidade, tenha um suporte maior de uma assessoria, ou mesmo os "contatos" que abrem mais espaço para tanto. Acho que são muitas pessoas escrevendo e, às vezes, tenho a impressão de que, apesar de a distribuição talvez não corresponder ao ideal, o publicar vem sendo cada vez mais facilitado. O que gera, sem dúvida, uma gama ainda maior do que ler, do que conhecer. E que, convenhamos, fica muito difícil de acompanhar, afinal, além de leitores trabalhamos, estudamos e, escrevemos.

Mas, de um modo geral, talvez falte a disposição de se entregar ao trabalho do outro também, não excluo essa possibilidade. Acho também que cabe a cada um se questionar o quanto colabora com divulgação e até incentivo, visitas e comentários honestos em blogs, aos outros sem que esteja esperando nada por isso, por exemplo, mas sem que isso seja uma regra, sem que isso seja uma imposição. Afinal, cada um faz o que quer.



Acho que o desafio está posto, em especial nessa sua postagem. Como mudar esse cenário é tarefa nossa, se assim quisermos, acredito.

Rogers Silva disse...

Olá, mocinha M.F., muito obrigado pelo comentário! A divulgação, do nosso ou de texto alheio, só fará com que mais pessoas entrem em contato com a Literatura e, em conseqüência, mais possibilidade de formar leitores. Então divulguemos! Beijão.

Rogério Mathias, é sempre bom ver você por aqui. Aqui na minha cidade – Uberlândia – a literatura contemporânea é bastante pesquisada na academia. Mas você – e o Mauro – têm toda razão quando fala(m) dos livros que são exigidos no vestibular; muitos são intragáveis e só aumentam a antipatia pela Literatura. É importantíssimo sabermos escolher livros específicos para um público específico.

Uai, Parreira, nunca nos apresentou seu blog Palavras Outras! Manda aí!

Opa, Andrey, obrigadíssimo pelo comentário! Um dia você pode vir nesse último espaço falar sobre o agenciamento literário, que tal? Abraços.

Eric, sobre a questão “mais escritores do que leitores”, sugiro alguns artigos do Nelson de Oliveira.

Brontops Baruq, você tem razão quando diz que alguns autores lêem as opiniões sobre o seu trabalho nem sempre de forma ............... Infelizmente alguns autores ainda não aprenderam a receber opiniões e críticas sobre a sua literatura. Por outro lado, as críticas devem ser feitas de forma sensata, o que também nem sempre acontece. O BULE, embora um espaço também de discussão de idéias, não permite ofensas e discussões inúteis e que não levam a lugar nenhum. Nenhum de nós tem idade e tempo pra esse tipo de discussão.

Para quem apresentou o Desafio Nacional, ele já foi adicionado aos favoritos, divulgado e aparecerá, em outras oportunidades, aqui n’O BULE. Esperem ;)

Biajoni, um fato que às vezes não nos permite conhecer o novo é a falta de tempo. Infelizmente hoje é tudo muito corrido.

Enderson, se cada um de nós fizer questão de comprar um ou dois livros de escritores iniciantes, ou seja, dar-lhes uma chance, com certeza muita coisa mudará na literatura brasileira. O mercado editorial será sacudido com essa campanha! Tá aí uma proposta de campanha ;)

Claudio B. Carlos, obrigado!

Marca Barbieri, fico feliz – acredite – de ter adorado/odiado o meu texto. Incomodar foi um dos objetivos dele. Sua frase “queremos ser lidos, mas não temos paciência para ler autores pouco divulgados” é uma verdade. De fato, é desolador saber que numa palestra de alguém como o Manuel da Costa Pinto apareceram apenas 7 pessoas... No mais, beijos.

Patricia Canarim, muito pertinente quando diz que a solução está em tornar a leitura acessível a todos. Inclusive esse assunto será matéria de algumas campanhas, propostas e postagens d’O BULE. Aguarde! Depois passe o link do blog da Nélida Capela. Muito boa a iniciativa!

Leonardo Schabbach, é triste saber que os brasileiros lêem mais literatura estrangeira do que nacional. Inclusive, na entrevista com a Ana Paula Maia, tratei deste assunto. Depois dá uma conferida. Abraços.

Bruna Maria, muito bom seu comentário. Obrigado e beijin!

Patricia Canarim disse...

Rogers, segue o link do blog de Nelida Capela: http://lectorinfabula.blogspot.com/
É ela que organiza o Desafio 50 livros em 2010, esse começou em 2009.

Eduardo Kawamura disse...

No meu entender, caminhar pelas beiradas é o melhor meio possível. Ou seja, pertencer a um movimento de cultura, entender um pouco de arte independente e atuar enquanto formador, e não apenas como "artista incompreendido", "gênio ainda não descoberto", "máximo denominador comum a espera do grande chance editorial". O povo está ai, sedento por literatura, mas precisa ser formado. Acredito em "militância literária". Não basta escrever. É preciso buscar os leitores, dialogar com eles e principalmente se envolver diretamente com outros escritores, críticos e movimentos de cultura. Atuar em rede.
Abraço.

Eduardo Kawamura.
http://twitter.com/edukaw

Débora Gauziski disse...

Outro problema é que tem muita literatura ruim mesmo. Às vezes compro poesias/livros daqueles vendedores que ficam em portas de centro culturais e quase sempre me arrependo.

Ricardo Bruch disse...

Bom, infelizmente não posso concordar 100% com o que foi escrito, por diversas questões, e isso é um comentário e não uma resposta, portanto tentarei ser pertinente e breve.
Eu acho que o maior problema da literatura é se fechar em escritores, do tipo escritor lendo escritor repassando para escritor. Eu acho que quando isso acontece é como se o texto morresse na praia. Acho que a literatura atinge sua finalidade quando pessoas que não são escritores param para ler algo e comentam, é aí que um texto ganha vida. A literatura no Brasil é feita para escritores, ao meu ver. Agora querer o reconhecimento sem se preocupar com a contraproposta é natural. Eu particularmente gosto de ler e comentar, mesmo quando não escrevia fazia isso, e continuo comentando como se não fosse escritor, mas não espero contrapartida. O jeito é aprender a lidar com isso. Agora, talvez caiba ao escritor sentir qual o pulso da sociedade, qual o perfil do leitor que ele quer atingir e chegar lá, ultrapassar o limite das amizades e familiares e chegar no leitor comum. Ou senão ficar como Joyce, que a esposa perguntava pq ele não mudava o estilo dele, pra vender bem. É difícil fazer isso no Brasil? Sim. Mas em qualquer lugar é. Eu realmente não sei e não gosto de pensar muito nisso, mas escrevo por que não consigo parar.
Enfim, o Bule é genial, eu mesmo repassei o link prum monte de gente, que inclusive colocou em seus respectivos blogs, agora nós, escritores, temos que repassar as mensagens e obter a natural contraproposta dos leitores, não dos escritores, dos leitores, chegar na veia do negócio, senão a literatura morre na praia. Essa é a minha opinião.
Eu li um comentário falando de leitores e autores internacionais, hoje via revista Veja e na parte de ficção não tinha um brasileiro, e quando tem, não é contemporaneo. Eu culpo os escritores, por uma série de motivos e o principal é por não cativar os leitores que não são escritores e isso os gringos fazer muito melhor que nós, até quando? Não sei.
É isso, minha humilde opinião.
Um grande abraço pra vocês, parabéns por ter suscitado o tema, muito controverso, muito interessante.
Ricardo Bruch

André Lucas Fernandes disse...

Rogers, é por ai mesmo. Seu texto trás várias componentes de um mesmo problema e diria que poderia fazer análises sobre outros setores além da literatura.

Como to liso liso liso (fizeram escova progressiva no meu bolso) eu aproveito a internet pra ler, comentar e disseminar literatura. A blogosfera é realmente impressionante.

Bruna Mitrano disse...

Engraçado que vejo os escritores indo a eventos juntos, indo aos lançamentos uns dos outros, bebendo juntos, posando pra fotos, mas não os vejo comentar o livro do "amigo". É assustador pensar nisso, mas: será que os contemporâneíssimos leem os autores da sua própria "geração"? E se não leem, por qual razão convidam esses autores pra participarem de suas antologias, de debates etc?
Sei que a questão não é só essa, seu post foi bem além, mas...

Ricardo Bruch disse...

Bruna,

gostei do teu apontamento, foi na veia do que eu queria dizer acima.

Por isso que eu acho que a literatura é feita escritor leitor, se depender de escritor escritor, não acho que dê pé.

Anyway, repito, minha opinião.
Abraços.

Francelina Drummond disse...

Rogers, seu texto Literatura não vende é um belo texto que mexe em muita coisa urgente, contemporânea e importante para nós, leitores, para escritores estreantes e, enfim, para a Literatura. O circuito da literatura-que-já-deu-certo vende, consagra e vende, basta entrar no esquema; o negócio é como-entrar-no-esquema. Muita gente quer escrever, ser lido, divulgar o texto do outro, etc mas não se habilita a entrar- no- esquema, tal como na vida acadêmica (que nós bem conhecemos...). E isto cansa quem gosta de Literatura e quer ver nomes novos, textos novos e/ou renovados, além de muitas vezes desanimar escritores estreantes. Já vi muita gente assim. Embora a cruzada seja ainda desigual em relação à literatura-que-vende , aposto muito, e divulgo quanto posso, a iniciativa de vocês n’O BULE, tão jovem, despojada e tão madura nessa lida sobre escrita-leitura-escrita que é no Brasil hoje a bandeira que ainda vale a pena.

Francelina Drummond

Anônimo disse...

Seu texto mostra exatamente o que acontece. E conseguir alguma coisa no Brasil, como uma publicação numa editora, ainda funciona sob relações pessoais - um escritor amigo é a melhor forma de conseguir sua publicação na editora que ele publica -, sem isso, fica difícil. Sobre os e-mails literários, realmente é mais fácil aceitarmos correntes religiosas infantis do que a indicação para ler um texto literário. Na realidade, damos pouca atenção aos nossos pares e aos novos, ainda temos a predileção pelo saudosismo, nada de novo pode ser tão bom quanto o que já passou. É claro que não devemos abandonar o que já foi escrito no passado, mas não devemos esquecer que o que hoje vemos como grande obra do passado já foi um dia uma obra de um artista novo. Sejamos menos egoístas!

pricilabeletato disse...

OLá...

sou nova aqui no blog e por isso primeiramente venho parabenizá-los pelo "alto nível" dos posts publicados. Não tive muito tempo para comentar, mas andei lendo vários deles e muito me encantei. PARABÉNS!

Quanto ao post em questão devo salientar que fiquei refletindo sobre suas palavras e entristece-me pensar nesta dura realidade; é triste pensar em quantos talentos são perdidos por falta de oportunidade e o quanto os aspirantes a escritores que deviam estar se ajudando, ficam cada qual entretidos apenas com "sua literatura".

Abraços!!!!

pianistaboxeador21 disse...

Oi Rogers, De fato, teu texto e o meu são convergentes. Falamos a mesma coisa com palavras diferentes. Como o texto é de meados do ano passado, fiquei com vontade de perguntar se a ideia de dividir e divulgar autores deu certo. Se as pessoas estão se ajudando?
No meu ensaio A um escritor obscuro, ao leitor ideal, apontei um problema que me preocupa: a troca de elogios mútuos e a falta de sinceridade. Agora, em alguns textos meus, tem acontecido o contrário, os caras xingam em vez de apontar falhas ou discordar de certos pontos. Não ocorre uma discussão adulta que procure aprimorar a Arte, entende? Às vezes me parece que boa parte das pessoas que curtem literatura são meio doidas. É certo que procuro escrever textos provocativos, mas acho que são provovações adultas sobre questões pertinentes. Por isso pergunto se as pessoas estão se divulgando mutuamente. Já aconteceu algo assim com vc? De te mandarem e-mail com xingamentos em vez de críticas?
Vou ler os outros textos que indicou,
Abração,
Daniel Lopes.